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Imagem ou Clichê?

Posted by polodefotografia em 27/10/2009

6palestraA saturação das imagens neste mundo digital repleto de fotógrafos pode trazer mais clichês? Como fugir deles? A vida se tornou um clichê? O que tem que fazer uma imagem para se tornar visível diante do Tsunami de fotografias digitais que permeia a contemporaneidade?

Mais questões que respostas aqueceram a primeira noite de debates do Seminário Máquinas de Luz, promovido pelo Ateliê da Imagem no Rio de Janeiro, em comemoração aos seus dez anos de existência.

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O tema “Imagens ou Clichês?” teve uma mesa especial mediada pela pesquisadora Claudia Linhares Sanz, e composta pela professora da UFF, Maria Cristina Franco Ferraz, pela  curadora Claudia Buzzetti e pelo fotógrafo Pio Figueiroa, integrante do coletivo Cia de Foto.

Mesclando teoria, prática, divagações filosóficas e análises curatoriais, a mesa levou ao público, que lotou o Cine Glória, uma reflexão sobre o volume inconteste de imagens que abarrotam o mundo hoje. Funes, o personagem memorioso, do conto de Borges, foi lembrado logo de início pela mediadora numa tentativa de, como ela mesma disse: “entrelaçar e pensar a imagem de maneira alternativa” diante desta saturação.

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Pio Figueiroa defendeu a busca constante de alternativas, pervertendo os clichês.

“No fotojornalismo, nossa habilidade de fotografar era medida pela capacidade de gerar clichês. Tinha apenas 15 minutos para entender a notícia e ilustrá-la com aquele repertório de clichês que poderiam ser facilmente identificados pelo leitor”.

“Durante dez anos da minha vida passei perdendo a capacidade narrativa, para responder a necessidade do mercado de gerar clichês.  Há um incômodo. Há uma aversão a este mundo da comunicação. Optei por ter uma versão mais ontológica do que estética. A gente nega o meio de comunicação sempre que a gente pode, trata a fotografia como algo que está sendo destruído pela ansiedade da comunicação”.

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Para exemplificar, ele mostrou as imagens de Guerra, fotos que documentam um bairro comum em São Paulo utilizando os clichês de uma guerra de verdade. São cenas comuns, imagens captadas na saída de uma pizzaria, filhos dos amigos pegando um metrô, etc, mas que diante do repertório de guerras reais, levam a quem as vê a pensar num lugar distante.

Para Claudia Buzzetti, “nós estamos vivendo em uma  sociedade acostumada a ver situações muito distantes e as vivenciar só através destas imagens. Isso faz com que nossos sentidos sejam mais adormecidos, porque estamos num outro lugar outro que não aquele em ocorreu o fato”.

8palestraLevando vários exemplos da massificação dos clichês na mídia contemporânea, não só principalmente por meio da publicidade, como também pelos próprios meios jornalísticos, Claudia ressaltou alguns “bons exemplos”, com ressalvas. “Tem ótimos exemplos de publicações, como a Time, que tentam emocionar, surpreender e chocar. O problema é que para elas existirem, precisam conter publicidade. Nenhuma delas se sustenta pelas vendas. E a maioria das publicidades obedece as regras de padronização, do clichê.  Aí encontramos deformidades como o final de uma reportagem sobre o Afeganistão, uma guerra qualquer, ao lado de uma modelo vendendo perfume ou uma roupa bonita”.

Para ela, a alternativa é uma boa edição de imagens. Mas para “ser editor de imagens não basta apenas ter conhecimento técnico da fotografia, e sim ter conhecimento em outras áreas. Estar envolvido em outros segmentos da sociedade. O olhar tem que ser culto e não só familiarizado com a fotografia. Teria que ser proposto experiências banais e não repetitivas do cotidiano”.

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Em uma grande reunião de filósofos inspiradores, Maria Cristina Franco Ferraz fez um apanhado teórico da composição do sentido em uma imagem. “Tanto para Nietzsche quanto para Deleuze, o embate com as forças ameaçadoras do caos e a produção de sentidos são necessários. O problema é que, nessa luta, a opinião constitui um céu de noções, um “domo” de conceitos, ou ainda, como no spleen baudelairiano, uma tampa, que limita e encerra o horizonte do pensável, do que é passível de ser expresso e experimentado”.

9palestraContinuando:  “Quando Lawrence descreve o que a poesia faz, afirma que os homens não cessam de fabricar sombrinhas que os abrigam, traçando em seu interior um firmamento (desde o nome, mais firme do que qualquer céu) e nele inscrevendo suas convenções e opiniões.  O poeta, entretanto, produz um rasgão nessa sombrinha, uma fenda por onde irá passar. Deleuze e Guattari acrescentam que, na brusca luz que irrompe pela fenda, certas visões aparecem: maçã de Cézanne, silhueta de Macbeth ou nenúfares de Monet.

Surgem, porém, a seguir as multidões de imitadores e de comentadores que remendam grosseiramente esses rasgões poéticos, alinhavando-os com opiniões. Deleuze acrescenta: “comunicação”. Será sempre necessário que venham outros artistas retomar o gesto violentamente poético, restituindo a seus predecessores “a incomunicável novidade que já não se podia ver”. Por isso é que o artista luta menos contra o caos – que ele de alguma maneira convoca e ao qual se alia -, do que contra os clichês. ”

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“Trata-se de uma tarefa a ser sempre recomeçada, relançada, que nunca está de uma vez por todas garantida. Por exemplo, assim como a tela do pintor nunca está em branco, mas já povoada de clichês de que é preciso se desvencilhar, o corpo do bailarino também está atravessado por milhares de hábitos (segundo Bergson, circuitos sensório-motores fixados e nele encravados) que é preciso desestabilizar para poder dançar. A força da arte não pode, portanto, ser nem imitada nem glosada: ou ela é recriada em um novo e violento gesto poético, ou se dilui em pastiche, neutralizando-se seu potencial disruptor. É um dos riscos, uma das ciladas que sempre rondam toda criação artística: se tornar pastiche de si mesmo, quer se seja Clarice Lispector ou Marguerite Duras. Eis o problema maior que o experimentalismo da arte moderna e contemporânea têm de enfrentar, de modo ainda mais agudo na era da comunicabilidade em tempo real e da imediata banalização midiática de toda inovação”.

Coordenado por Patrícia Gouvêa e Claudia Tavares, e produzido por Andrea Cals, o seminário continua hoje com o tema “Auditoria em Questão”. Os convidados da mesa são: Ivana Bentes, Sergio Cohn e Walter Carvalho, que serão mediados por Frederico Coelho.

Não precisa nem dizer que continua imperdível!

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Curtindo curtas

Posted by polodefotografia em 27/10/2009

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Está imperdível a programação de curtas do Seminário Máquinas de Luz, que o Ateliê da Imagem está promovendo esta semana no Rio, em comemoração pelos dez anos de sua existência.

No primeiro dia, exceção aos curta-metragens, foi exibido o longa Janela da Alma, de Walter Carvalho, que é presença confirmadíssima hoje no evento.

Confira abaixo a programação completa e agende-se para assistir a todos, ou pelo menos alguns se o tempo livre não permitir. Além dos curtas, a programação dos debates também está de altíssimo nível.  Não dá para perder.

Aí vai a programação:

DIA 27 – 
Mostra Audiovisual: “O Curta-Metragem, Exercício do Autor”
Curadoria e apresentação: Andrea Cals
Filmes:
Documentário, de Rogério Sganzerla – 1966
Dreznica, de Anna Azevedo – 2008
Yansan, de Carlos Eduardo Nogueira – 2006
A menina do algodão, de Kleber Mendonça Filho – 2003
Por onde andará Petriciu Felker, de Allan Sieber – 2001
Nossos filhos, de Eduardo Wotzik – 2009
Mira, de Gregorio Graziosi – 2009

Às 19h
Debate: “Autoria em Questão”
Participações de Ivana Bentes, Sergio Cohn e Walter Carvalho.
Mediação de Frederico Coelho

DIA 28 – Tema: “Rumos de Linguagens e Interação de Suportes”
Às 16h
Mostra Audiovisual: “Filmes Dispositivos”
Curadoria e apresentação de Cezar Migliorin.
Filmes:
Rua de Mão Dupla, de Cao Guimarães – 2003
Ação e Dispersão, de Cezar Migliorin – 2003
Walking in an Exaggerated Maner, de Bruce Nauman – 1967/1968
Vista Mar, de Rúbia Mércia, Pedro Diógenes, Victor Furtado, Rodrigo Capistrano, Claugeane Costa e Henrique Leão – 2009

Às 19h Debate: “Rumos de Linguagens e Interação de Suportes”
Participação de Muti Randolph, Paola Barreto e Cao Guimarães.
Mediação de Cezar Migliorin.

DIA 29 – Tema: “Pesquisas Curatoriais e Artísticas com Imagens Técnicas”

Às 16h
Mostra Audiovisual: “A Vídeo-Arte”
Curadoria e apresentação de Marcos Bonisson.
A mostra tem como objetivo apresentar uma breve introdução a trabalhos significantes no campo da vídeo-arte. 
Alguns filmes:
Anémic Cinema – Marcel Duchamp (1926)
Marca Registrada – Letícia Parente (1975)
Rhythmus 21 – Hans Ricther (1921)
Le Retour à La Raison – Man Ray (1923)
Water For Maya – Stan Brakhage (2000)
Meu Nome é Paulo Leminski – Cesar Migliorin (2004)
Daybreak Express – D.A Pennebaker (1958)
At Land – Maya Deren (1944)
Bill Lundberg – Corner (1983), Game (2003), Passage (2004)
Paradoxo de Heráclito – Silvio Tavares (sem data)
Le Vampire – Jean Painlevé (1939)
Manhatta – Charles Sheeler (1921)
Dibujos Móviles – Magdalena Fernandez (sem data)
14 hours , 54 min.– Alice Miceli (sem data)
Sopro – Cao Guimarães (2000)
Às 19h
Debate: “Pesquisas Curatoriais e Artísticas com Imagens Técnicas”
Participação de Eduardo Brandão, Daniela Labra, Maria Iovino e Mauricio Dias.

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15 MINUTES EXHIBITION

Posted by polodefotografia em 20/10/2009

Quem perdeu a oportunidade ver o vídeo pela primeira vez apresentado em Paraty, agora não pode desperdiçar esta chance. Na próxima sexta-feira, o projeto 15 MINUTES EXHIBITION será exibido no Ateliê da Imagem, antes de partir para a Luxe Gallery em Nova York, e várias outras cidades.

O projeto é fruto da parceria entre o Ateliê da Imagem e o ArtSalon (uma nova  galeria virtual especializada em fotografia que entrará no ar em dezembro de 2009).

15 MINUTES é uma exposição em vídeo produzida com fotografias que integram a obra de 47 artistas brasileiros e estrangeiros, com nomes como Vik Muniz, Rosangela Rennó, Luiz Braga e Walter Firmo, e renomados fotógrafos estrangeiros como Lorenzo Castore, Adou e Alberto Garcia-Alix.

O PROJETO conta com a direção da italiana Claudia Buzzetti, pesquisadora e crítica de fotografia, trilha sonora produzida pelo DJ Nado Leal e edição de Renato Vallone.

No vídeo acima, um teaser do projeto. Vale conferir!

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Projeto Portfolio no Ateliê

Posted by polodefotografia em 01/10/2009

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Daniel Lannes é o novo convidado do Projeto Portfolio, realizado por Felipe Scovino, Marcelo Campos e Pedro França amanhã à noite no Ateliê da Imagem.

Daniel Lannes é artista plástico, formado em Comunicação Social pela PUC-RIO. Estudou pintura na State University of New York e na Escola de Artes

Visuais do Parque Lage. Participou de exposições individuais no Rio e em São Paulo, e ganhou no ano passado bolsa residência no The Idyllwild Arts Painting’s Edge Program, California, EUA.

Com suas duas últimas edições realizadas no MAC em Niterói, o Projeto  pretende convidar artistas cujas produções tenham sido iniciadas ou amadurecidas no decorrer dos anos 2000 para debater suas obras com os organizadores e público em geral.

O Ateliê avisa que o Projeto possui um caráter experimental em sua concepção, visando envolver artistas e críticos emergentes “numa espécie de fogo-cruzado produtivo”.

Vale conferir!

Atêlie da Imagem: Av. Pasteur, 453 Urca – Rio de Janeiro    21-2541.3314 / 21-2244.5660    info@ateliedaimagem.com.br. Amanhã (2/10) a partir das 19 horas.

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15 minutes exhibition

Posted by polodefotografia em 21/09/2009


A programação do Paraty em foco está recheada de atrações, mas vale destacar na noite de sexta-feira a apresentação do curta-metragem 15 MINUTES EXHIBITION.


Produzido pelo Ateliê da Imagem em parceria com o ArtSalon, o curta traz fotografias que integram a obra de 47 artistas renomados (brasileiros e estrangeiros), com direção da italiana Claudia Buzzetti, pesquisadora e crítica de fotografia, trilha sonora produzida pelo DJ Nado Leal e edição de Renato Vallone.

O projeto será apresentado na abertura da noite de projeções oficiais do Festival Paraty em Foco,e depois também poderá ser visto em outubro no Projeto Sexta-Livre, no Ateliê da Imagem e em novembro na LUXE Gallery, em Nova Iorque.


Participam do projeto os brasileiros: Alexandre SantAnna, Antonia Dias Leite, Bruno Veiga, Cia de Foto, Claudia Tavares, Dani Soter, Daniela Dacorso, Duda Carvalho, Felipe Hellmeister, Guy Veloso, Iatã Cannabrava, João Castilho, Julia Dias Leite, Julio Bittencourt, Leonardo Ramadinha, Luiz Braga, Luiza Baldan, Marcelo Correa, Marco Antonio Portela, Marcos Bonisson, Marcos Prado, Marina Marchetti, Patricia Gouvêa, Pedro David, Pedro Motta, Renan Cepeda, Ricardo Fasanello, Rosangela Rennó, Thiago Barros, Vicente de Mello, Vik Muniz e Walter Firmo. Os convidados estrangeiros são: Adou (China), Alberto Garcia-Alix (Espanha), Dalia Khamissy (Libano) , Edgar Martins (Portugal), Emma Livingston (Reino Unido), Esteban Pastorino Diaz (Argentina), Fuad Elkhoury (Libano), Irene Maria Di Palma (Italia), Jiang Pengy (China), Li Lang (China), Lorenzo Castore (Italia), Massimo Sciacca (Italia), Michal Chelbin (Israel), Tinko Czetwertynski (Belgica), Zhu Hongling (China).

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