Polo de Fotografia

Archive for outubro \10\UTC 2008

O Fim de uma era

Posted by polodefotografia em 10/10/2008

Alécio de Andrade

Imagens clássicas, frases de efeito, causos da pauta diária, uma discussão aqui, outra ali. Um consenso: acabou a era da espontaneidade em que Cartier-Bresson foi o paradigma. O resumo veio da boca de Pedro Vazquez, na abertura do debate em que ele seria o mediador, no Instituto Moreira Salles, sob o tema “O trabalho autoral em fotografia e o fotojornalismo ontem e hoje: o papel das agências fotográficas no Brasil e no exterior”.

Envolvidos pelas fotos de Alécio de Andrade, que estão em exposição na casa da Gávea até novembro, os convidados do evento – Evandro Teixeira, Rogério Reis, Custódio Coimbra, Zeca Linhares, Joaquim Marçal e Pedro Vasquez – elegeram o fotógrafo, morto em 2003, como um representante do fim desta era. Deixaram a memória correr solta e brincaram de procurar nas gavetas do tempo causos dos encontros e desencontros que tiveram com Alécio. Sobraram risadas e a certeza de que tudo mudou e vem mais por aí.
Evandro Teixeira

Entre as várias razões para tal certeza está a dificuldade da captação da imagem “roubada”. O direito do uso da imagem virou sangue puro para alimentar a sede dos ex-advogados de porta de cadeia que hoje utilizam este meio para instigar personagens de matérias de revistas e jornais a processar fotojornalistas, bem lembrou Evandro.

A banalização da imagem por meio da proliferação das máquinas digitais também trouxe à tona as imagens cansadas, que caem no desuso do intenso tráfego de imagens na rede virtual. “O fotojornalismo hoje está demasiadamente factual. Não há mais a imagem contemplativa”, comentou Vazquez.

Outros temas a serem desenvolvidos nos próximos posts e que marcaram o tom do debate são a era do individualismo na fotografia, e a questão do congelamento do tempo nas novas tecnologias: a importância do olhar ainda prevalece?
Custódio Coimbra

Posted in NEWS | Leave a Comment »

IN FOCO

Posted by polodefotografia em 09/10/2008

A escolhida para ocupar o espaço clássico da seção In Foco, com slides de sua obra chama-se Rineke Dijkstra e nasceu em Sittard, na Holanda em 1959.
Estudante de fotografia da Gerrit Rietveld Academie de Amesterdã, de 1981 a 1986, Dijskstra trabalhou em várias empresas como retratista até que sofreu uma acidente, quando uma bicicleta atingiu seu carro.
Um auto-retrato produzido durante a sua reabilitação, deflagrou uma nova direção à sua obra.
Desde então ela passou a eternizar em retratos certos momentos de transição. O mais presente em sua obra é o da puberdade.
Passeando por praias e piscinas americanas e européias entre 1992 e 1996, a holandesa de nome um pouco difícil para os brasileiros apresentou jovens banhistas em poses que variam entre a tentativa de sedução, o desconcerto e a timidez entremeados pelo estilo desajeitado de quem percebe o corpo mudando.
Outros momentos de transição registrados por Dijkstra foram os das mães pouco depois do parto e toureiros recém saídos da arena, ainda com os rostos sujos de sangue. Recentemente, ela também se concentrou sobre os jovens militares israelitas. Novamente, a imagem não nos mostra a ação, não retrata a “realidade”, mas apenas as evoca, deixando a sugestão do que foi e o vir a ser.
Para entender Dijkstra, o legal é evocar Jean Baudrillard, em uma entrevista quando de sua vinda ao Brasil:
Sou um dissidente da verdade. Não creio na idéia de discurso de verdade, de uma realidade única e inquestionável. Desenvolvo uma teoria irônica que tem por fim formular hipóteses. Estas podem ajudar a revelar aspectos impensáveis. Procuro refletir por caminhos oblíquos. Lanço mão de fragmentos, não de textos unificados por uma lógica rigorosa. Nesse raciocínio, o paradoxo é mais importante que o discurso linear. Para simplificar, examino a vida que acontece no momento, como um fotógrafo. Aliás, sou um fotógrafo.”

Posted in NEWS | Leave a Comment »

novo espaço – novos cursos

Posted by polodefotografia em 06/10/2008

O espaço figura, inaugurado no último mês de agosto no Rio de Janeiro, pretende ser um lugar de aprendizado, discussão, desenvolvimento e produção de arte. Exposições relâmpagos, lançamentos de livros e sites, leituras de portfolio e eventos relacionados à arte compõem a programação do lugar.

Neste mês de outubro, abre sua primeira proposta de curso prático de fotografia, acreditando que a melhor maneira de evoluir na linguagem fotográfica é exercitando. O curso Próxima estação: fotografia na Lapa, tem início em 11 de outubro e prevê 4 saídas em grupo e 4 encontros para análise das práticas, sob orientação do professor Paulo Batelli.

A direção do espaço figura fica a cargo de Claudia Tavares e Monica Mansur.

Para mais informações: contato@projetofigura.com

Posted in NEWS | Leave a Comment »

Depressão de ontem e de hoje

Posted by polodefotografia em 05/10/2008

Em tempos de Bolsa despencando, ações em derrocada, e mercado financeiro mundial em polvorosa, na fotografia vale lembrar o momento genial motivado pela grande depressão anterior, a de 1929.

Logo após a crise norte-americana, que sobreveio ao crack da bolsa de Nova York em 1929, dois milhões de desempregados e uma massa de imigrantes vivendo em condições subumanas. As péssimas condições de vida, associadas ao deslocamento de populações no interior do próprio país, marcaram esse período por um constante medo de explosões de conflito social, demandando uma atenção continuada por parte das autoridades.

Em 1935, como parte do New Deal, o presidente Franklin Roosevelt lança o Farm Security Administration, um programa de ajuda financeira aos agricultores que tinham perdido suas terras durante o período de depressão econômica.
Roy Stryker, responsável pela administração da FSA, uma agência de fomento governamental dirigida por Roy Stryker, convocou os melhores foto documentaristas da época para retratar a vida rural e urbana daquela época: Dorothea Langue, Margareth Bourke-White, Russel-Lee, Walker Evans, Ester Bubley, Arthur Rothstein, Jack Delano entre outros.

Muitas destas respostas foram lidas como exemplos de um registro permanente de sua época, ao mesmo tempo em que foram vistas como tendo um lugar dentro do contexto no qual foram produzidas. Mas como tinham a intenção de mobilizar a opinião pública com vistas a uma ação positiva, não poupavam recursos dramáticos.
As fotos foram publicadas na revista Life e se tornaram ícones de uma época. Nos rostos retratados com firmeza e precisão, especialmente por Walker Evans e Dorothea Lange, ficaram mais do que apenas as expresões da pobreza daquela geração, mas a força do olhar ali expressado.
O programa do Farm Security, que pretendia reisntalar a população rural nas terras originais não deu certo como o governo queria. Os camponeses queriam comprar as terras, e não aceitaram a “reabilitação rural” como inquilinos nas propriedades do governo.
Mas ao final do programa, em 1941, Stryker contava em seu acervo 70 mil cópias e 164 mil negativos, preservados e arquivados até hoje na Biblioteca do Congresso norte-americano.
Mais de 70 anos depois, as imagens que nos chegam da atual depressão americana é a de mãos nos rostos dos operadores de bolsas de valores…

Posted in NEWS | Leave a Comment »