Polo de Fotografia

Archive for julho \24\UTC 2008

A cor do humor

Posted by polodefotografia em 24/07/2008

Irônico, debochado, irreverente, sedutor e saturado.
Carcaterísticas atribuídas ao inglês Martin Parr não faltam.
Mas ele mesmo define-se com o adjetivo “Promíscuo”, lembrando sempre que é comprometido e político acimade tudo.
Nascido em 1952, fotógrafo da lendária Magnum desde 1994, hoje seu vice-presidente, Parr tornou-se ícone de uma nova geração de fotógrafos documentaristas na década de 80 ao abusar do bom-humor para reatratar o lazer da classe trabalhadora de New Brighton.
Apesar de ter fotografado muito em preto e branco antes dessa época, foi então que veio à tona sua faceta hoje mais conhecida, aquela que mostra muitos dos vícios e comportamentos das sociedades contemporâneas em cores fortes e flashadas acachapantes.
Desde então, o fotógrafo descarregou a artilharia pesada de seus cliques contra a cultura de consumo. “Quero que meu trabalho seja sério, mas também acessível. Que seja divertido e e inteligente ao mesmo tempo”, disse recentemente a um jornal espanhol, após ser homenageado no Photo Spaña.
Aqui no Pólo de Fotografia, sempre cultuado, Parr recebe também singela homenagem ao ter suas fotos exibidas em slideshow ao lado. Fotografias de moda, trabalhos jornalísticos, projetos culturais. essa diversidade, que ele define como promiscuidade, traz uma nova estética ao mundo documental.
Na homenagem à Parr, a direção do Photo Spaña justificou o prêmio: “O seu olhar excêntrico e satírico, os projectos cinematográficos e os livros que assinou convertem-no num dos fotógrafos mais conceituados da segunda metade do século XX”.
Outras publicações trataram do evento como a “inauguração da era Parr” na Magnum, que joga luzes sobre outros ângulos da sociedade contemporânea, que não a miséria e a guerra. “Parem de fotografar somente a pobreza”, disse Parr quando veio ao Brasil. Fica a homenagem.

“É como é o mundo: nem muito bom, nem muito mau, mas sim algo intermediário. Minha intenção é buscar esta ambiguidade entre o objetivo e o subjetivo, o bem e o mal, o ying e o yang”.

Martin Parr

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Posted by polodefotografia em 21/07/2008

O lançamento do prêmio Porto Seguro deste ano, com o tema Retrato em questão – a imagem brasileira, me fez lembrar de uma frase do Roland Barthes em “A Câmara Clara”: “Retrato é o encontro entre personagens: aquele que o retratado acredita ser, aquele que gostaria de ser e aquele que o fotógrafo acredita seja”.

Com a participação de Annateresa Fabris, Cildo Oliveira, Cristiano Mascaro, Rosely Nakagawa, Cristina Guerra e Rubens Fernandes Jnior, a oitava edição do Prêmio Porto Seguro de Fotografia busca encontrar uma imagem que represente o Brasil.

Mas qual é o retrato que traz esta imagem à tona? o negro, o índio, o mulato, a garota de ipanema? Homogeneidade é o que certamente não existe no país. E o tema abre um leque enorme para abusar da criatividade.

Trabalhos como o mais recente de Renan Cepeda, ou os retratos de Rosângela Rennó são exemplos claros de fuga do lugar-comum…

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Beijo proibido

Posted by polodefotografia em 20/07/2008

Fotografia de casais se beijando no meio da rua sempre causam polêmica. Desta vez, foi no Brasil. O Jornal de Brasília foi condenado a indenizar por dano moral um casal de namorados, porque usou sua foto se beijando sem pedir autorização.
A mesma foto foi utilizada em duas situações diferentes: numa serviu para falar do Dia dos Namorados; na outra ilustrou matéria sobre doenças provocadas pelo beijo. A alegação dos avogados foi de que os dois envolvidos viraram motivo de chacota entre colegas do policial e da professora. A indenização será de R$ 20 mil.

Só para lembrar, houve no passado o clássico beijo captado por Robert Doisneau (acima), que foi vendido pelo equivalente a R$ 511 mil em 2005. A antiga proprietária é a mulher que aparece na foto, tirada em Paris, em 1950, com seu namorado . O mais curioso é que o casal guardou até
1992, segredo sobre o fato de a imagem ser posada. A história só veio à tona, quando surgiram pessoas querendo cobrar direito de imagem, alegando que eram os retratados. Os dois modelos apresentaram então o recibo do pagamento feito pelo fotógrafo no ato.
Outra foto que despertou a curiosidade mundial, foi a do marinheiro pós segunda-guerra mundial, em que aparece beijando uma enfermeira (ao lado). O momento foi imortalizado pelo fotógrafo Alfred Eisenstaedt e assim nasceu uma das fotografias mais icônicas de celebração pós-guerra. Dez homens diziam ser o marinheiro da foto tirada no dia em que os Aliados celebravam a vitória sobre o Japão, mas por meio de estudo as dúvidas foram finalmente dissipadas.

De quebra fica para encerrar este post outra bela imagens captada pelo mestre Bresson, também de namorados se beijando na rua.
Até onde sei, esta não está envolvida em polêmicas… ou está?

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Enquanto isso, lá fora

Posted by polodefotografia em 10/07/2008

A bélgica acaba de inventar um novo evento fotográfico que promete “pegar”. É o “Verão da fotografia” (L’Été de la Photographie), uma mostra dedicada à fotografia contemporânea.

E nesta primeira edição que vai até o dia 21 de setembro acima dos trópicos, a América Latina é o principal destaque. Uma série de exposições em 29 centros culturais das principais cidades do país leva para aquelas paragens diversos artistas latino-americanos. Somente a exposição “Mapas Abertos”, reúne quarenta artistas – procedentes do Brasil, Argentina, Cuba, Colômbia, Peru, Costa Rica, Venezuela, Guatemala e Equador. Entre eles, os brasileiros Fernanda Magalhães, Cássio Vasconcellos, Vik Muniz, Mario Cravo Neto (autor da foto acima) e André Cypriano.

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Posted by polodefotografia em 03/07/2008

Delicadeza, sensibilidade, lirismo.

Predicados que cabem ao trabalho do coreano Ki-Bong Rhee, que está exposto na mostra coletiva Emergência, a quarta edição da Bienal Emoção Art.ficial, entre 2 de julho e 14 de setembro, no Itau Cultural, em São Paulo.

A mostra reflete sobre a emergência no campo da arte cibernética e apresenta obras constituídas por elementos reais ou virtuais que, ao interagirem entre si, originam resultados complexos não-previstos pelo artista. A construção de tais obras apresenta, dessa maneira, características emergentes que expandem os conceitos tradicionais de criação e autoria.

No caso do trabalho do coreano, a instalação é composta de um aquário contendo um livro que a partir de um fluxo proporcionado por bombas d´água, desenha suaves movimentos que enlevam o “espectador” (?). A estabilidade dinãmica do objeto é mantida por uma bola de ping pong que impede que ele feche para o lado contrário e impulsiona seu peso, permitindo que as páginas fiquem colocadas. Frases desgastadas com a água podem ser lidas em parte e os movimentos de tão suaves sugerem quase uma meditação, uma transposição da mente daquele para outro espaço.

Outro trabalho que chama a atenção na mostra é a estante composta por 50 livros-objeto. Ao serem abertos, um mecanismo dispara a gravação de trechos de textos de diversos autores- Fernando Pessoa, Franz Kafka e Italo Calvino, apenas para citar alguns.

Assim, o público compõe um palimpsesto sonoro, sem que cada visitante deixe de ouvir o trecho do livro específico que está em suas mãos. Obra vencedora do Rumos Itaú Cultural Arte Cibernética em 2007, a obra é da brasileira Raquel Kogan, arquiteta, artista multimídia, gravadora e pintora.

Por estas e por outras, vale e muito.

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