Polo de Fotografia

Foto antiga – Livro novo

Posted by polodefotografia em 17/06/2008

por Phillippe Machado *
Depois de um período afastado, usando como desculpa a tendinite de uma amiga, finalmente consegui voltar a escrever essa coluna sobre livros de fotografia, que nasceu com a ingênua intenção de ser semanal. Bom, mas vamos aos livros porque é disso que o povo gosta!!!

Nada melhor do que falarmos de um grande livro. Lançado há cerca de dois meses, pela Editora 7 Letras sob o título de: “1968 destinos 2008: Passeata dos 100 mil” e responsável pela volta de Evandro Teixeira às nossas estantes.
Seu último livro de grande circulação foi “Canudos, 100 anos”, lançado em 1997, que se encontra esgotado, assim como o clássico “Fotojornalismo” de 1983. É ou não é motivo pra comemorar??
Há exatos 40 anos, Evandro registrou os momentos mais tensos do período militar. Pelas ruas do centro do Rio eram vistos tanques de guerra, armas, cavalos e jovens correndo. Essas imagens foram capturadas pelo visor da moderna Nikon F de Evandro, além da sua pequena notável, uma discreta Leica que fazia questão de levar em suas incursões pelas ruas.
Possuidor de um material tão rico, Evandro, em vez de lançar um livro de fotos da época preferiu fazer uma espécie “Cabra marcado para morrer”, documentário de Eduardo Coutinho, de 1984.
Procurar os participantes da Passeata dos 100 mil tomou tempo, mas vendo o resultado fica claro o quanto era importante trazer a publico aquelas pessoas e o que se tornaram. A idéia inicial era um livro com 68 pessoas que estivessem nas fotos, mas com o tempo foram aparecendo mais e mais pessoas e o projeto foi fechado com 100 personagens.
Trata-se de um grande livro de história, elaborado a partir do ponto de vista de um fotógrafo.
Com capa dura e fino acabamento, o livro deixa transparecer os desafios de um fotógrafo de jornal, principalmente na época da fotografia analógica e durante anos de repressão à liberdade.
Negativos revelados às pressas, sem controle algum, numa época em que os que entregassem as fotos primeiro tinham mais chances de emplacar a primeira página. Os problemas ficam claros ao se observar o grão das imagens e as alterações de luz. Muito disso poderia ter sido corrigido no computador, mas ver as imagens daquela maneira deixa os mais velhos com uma certa dose de saudade. Saudade de um tempo no qual se tinha menos controle, menos precisão e mais sentimento.

1968 Destinos 2008: A Passeata dos 100 mil
Evandro Teixeira
Editora 7 Letras
120 pág.
Preço: R$ 98

*Phillippe Machado, autor das colunas
de literatura fotográfica deste blog,
também é fotógrafo e sócio da livraria Dona Laura,
localizada na Casa laura Alvim, em Ipanema.

Anúncios

3 Respostas to “Foto antiga – Livro novo”

  1. Diego Batalha said

    Com todo respeito ao trabalho do fotógrafo e sua importância histórica e fotográfica ao longo de todos os seus anos de atuação, tenho que comentar aqui: Este livro é lastimável!!!Totalmente oportunista (mas, perguntarão, afinal vivemos e produzimos por oportunidade, não é?), e fraco em termo fotográfico.Quanto a questão histórica, ok, vamos lá… interessante saber que fim levou 100 indivíduos da foto.. mas acho que é um desperdício de uma grande e bela foto…Tenho dito!

  2. Philippe said

    Oi Diego, legal que voce comentou. Acho que a idéia do Pólo é justamente permitir a discussão.Gostaria de ponderar apenas que no Brasil se publicam poucos livros de fotografia, por uma questão de custo e de falta de mercado. Os livros, em sua grande maioria são feitos com leis de incentivo e consequentemente patrocinadores. É natural que uma empresa tenha esse pensamento oportunista que voce mencionou, o que nem sempre representa o desejo do fotógrafo. Claro que o Evandro, assim como outros grandes fotógrafos, merecia um registro maior e mais completo de sua obra, mas talvez nenhuma empresa concorde com essa importancia. E aí, qual a solução?Entre publicar livros temáticos, correndo o risco de desperdiçar uma grande foto ou um grande ensaio pra atender os interesses de um patrocinador e não publicar, eu fico com a primeira opção.Mas respeito a sua opinião e achei muito legal voce ter comentado.Um abraço, Philippe.

  3. Gustavo said

    o livro realmente traz a sensação de que havia mais sentimento, apesar de menos precisão, como diz o autor do post. mas também não posso deixar de lembrar que uma coisa não exclui a outra. o photoshop não veio para tornar a imagem menos sentimental. ou mais “enquadrada” no perfeccionismo, apesar de isso se aequar às suas funções. quanto ao controle, estamos bem distantes (graças a deus) daquele existente na época, mas ainda ssim hoje penso: não seria melhor filtrar mais o que é publicado? enfim, impertinências para serem pensadas.abraços a todos.e parabéns: o blog continua sempre muito interessante.Guto

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: