Polo de Fotografia

Há 40 anos

Posted by polodefotografia em 10/05/2008

Alguns posts tornam-se lugares-comuns em blogs, sites, mídia em geral. Outros são quase obrigatórios.

Este é o caso do revival de Maio de 68, que desde janeiro já vinha tomando conta de todos os espaços por conta da celebração dos 40 anos dos acontecidos naquela data.

Uma época que ficou gravada como mito na mente de quem a viveu e de quem só a conheceu de filmes, livros e histórias recheadas de boa trilha sonora e ideais revolucionários.

Tudo, é claro, junto com uma postura de vida.
Uma atitude.

Voltando poucos anos antes, na verdade, a impressão que tem, bem clara, é de que a fumaça dos coquetéis Molotov preparados pelos estudantes para explodir nas noites de barricadas em Paris, já estavam presentes indicando o que estava por vir.
Na foto ao lado, bem captada pelo mestre Cartier-Bresson em 1967, o choque de gerações antecipava o que estava por vir.
É claro que a imagem, sutil, capta em nuance “bem-humorada” entre o contraste entre o conservadorismo e a juventude libertária.

Mas o que foi maio de 1968 senão uma ode da juventude resistente ao sistema de consumo e atropelamento que o conservadorismo acahapante pretendei imprimir às futuras gerações?

Mais do que fatos em si, ou mesmo fotos marcantes, o que ficou mitificado a partir daquela época foi um ideal socialista com face humana, recheado das boas frases pichadas nos muros de Paris, com exortações ao sexo, em vez do trabalho, ou à espontaneidade, no lugar da disciplina. Tendências anarquistas, hedonistas, Nietzschianas. A ordem era contestar a “Sociedade do Espetáculo”, assim traduzida no livro de Guy Debord, que marcou gerações e ditar regras apenas a partir do “é proibido proibir”.

Ao lado o então estudante Daniel Cohn-Bendit desafiando a polícia com o seu olhar sarcástico que, depois de liderar muitas revoltas parisienses, lhe renderia o apelido de Daniel Le Rouge.

Se hoje, alguns pensadores acreditam que uma certa tendência ao conervadorismo e a saudade da organização social de dantes afastaram o espírito revolucionário e colocaram em crise o mito dos acontecimentos de maio de 1968, vale apenas parar para ver algumas imagens daquela época, feitas em Paris e em Praga, os dois estopins das revotas que se tornaram ícones históricos.
A que está ao lado é especialmente interessante e mostra a expectativa suporada da chegada das tropas soviéticas em Praga. O relógio marca seis horas, minutos antes da entrada dos tanques na cidade.
A foto foi feita pelo tcheco Josef Koudelka, que trabalhou intensivamente na captação de imagens belíssimas desta ocasião e que depois veio a ser tornar comnhecido por fotografias que fez junto a grupos de ciganos.
No tocante a maio de 68, vendo imagens da época, não dá para não sentir uma certa inveja do espírito libertário predominante então. O pensador Boris Groys definiu: “É absolutamente evidente que os anos 60 foram um presente divino. O ano de 1968 foi um afluxo súbito de energia”.

Em tempo: a Magnum Motion disponibilizou cenas daquela época para rememorar o passado distante. Algumas já estão no inconsciente de gerações…
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