Polo de Fotografia

O brilho de Alice

Posted by polodefotografia em 04/05/2008

Irrequieta, talvez por natureza, talvez pelas constantes mudanças de cidade impostas pelos pais na sua infância e adolescência, em fuga do nazismo, a alemã Alice Brill, hoje com 88 anos, tem uma trajetória nas artes plásticas que já foi homenageada por vezes, mas ainda é desconhecida de muitos.

Ela seguiu cedo a carreira de artista plástica do pai, tornando-se pintora, gravadora e depois fotógrafa exímia de formas e cotidianos de São Paulo, cidade em que se instalou desde 1935.


Entre as imagens captadas especialmente na década de 50, o estilo de Brill sugere algo de Levi Strauss ou de Lewis Hine. A denúncia de que o tempo estava parado para algumas classes sociais havia pelo menos 100 anos pode ser vista na imagem acima, tirada na Bahia em 1953, mas que poderia ter sido feita em 1853.

Hoje sua coleção com 14 mil negativos se encontra com o Instituto Moreira Salles, que realizou mostra com parte das obras no ano passado.

À parte da fotografia, Alice Brill foi aluna de Paulo Rossi Osir nos anos 40, e seu estilo inicial lembra o de Mário Zanini. Mas ela se impôs uma linguagem mais “moderna”, vagamente psicodélica nos anos 70, como deixa ver ao lado.

Ela foi também foi uma das fundadoras do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), do Clube dos Artistas e Amigos da Arte de São Paulo, da Associação Brasileira de Pesquisadores em Arte. Formada em Filosofia Pura pela PUC/SP em 1975, fez mestrado e doutorado em Estética na USP.


A tese de doutorado “Viagens Imaginárias – transformação de uma técnica milenar em linguagem contemporânea”, sobre o batik, permanece inédita.
Hoje, a artista continua pintando – a obra ao lado é do início dos 2000 – e fotografando com uma pequena câmera compacta, ainda com filme. O olhar atento busca em praças da capital paulistana o modo de viver da população em um outro mundo tão diferente e ao mesmo tempo tão próximo daquele de seu longínquo passado.

Para quem ainda quer conhecer mais desta pessoinha rara, vale dar uma olhada em “Da Arte e da Linguagem”, com rico material crítico e filosófico escrito por Alice. Ela demonstra-se uma ensaísta de estética versátil para contrapor linguagem e cultura com relação às obras de arte, sociedade e história.

Uma aula de vida dedicada à arte
e a pensar a arte.

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