Polo de Fotografia

Archive for abril \30\UTC 2008

O Paradigma da Modernidade

Posted by polodefotografia em 30/04/2008

Ousado e inquietante, Geraldo de Barros é considerado um marco na fotografia brasileira, desde que apresentou seu trabalho Fotoformas, em 1946.

Sua força criativa, desnaturalizando a fotografia, provocou rupturas entre seus contemporâneos, nas décadas de 40 e 50, e até hoje provoca desconcertantes comentários do público visitante da exposição que está em cartaz em São Paulo, com parte do acervo da Pinacoteca e do Sesc São Paulo.

Influenciado pela Teoria da Gestalt, com estética pioneira e fortes tendências abstratas, Geraldo de Barros preocupava-se com as formas e permitia-se a experimentação sem medo.

Geometrias compostas a partir da arquitetura urbana, ou mesmo com sanduíches de negativos feitos diante do ampliador, fizeram com que ele trouxesse para o ramo fotográfico a aproximação com as artes plásticas, instituindo uma nova gama de possibilidades para o olhar.

Junto com José Oitica Filho – talvez o mais revolucionário de sua época – e também com Thomaz Farkas, Geraldo de Barros compõe o leque de fotógrafos brasileiros que quebrou o paradigma da modernidade, aproximando as imagens construtivas dos movimentos concretistas e neoconcretistas.

Para melhor defini-lo, deixo as palavras à historiadora Heloisa Espada, curadora da Exposição e autora de tese de mestrado na USP, sobre a produção de Geraldo de Barros:

“É simplista usar a frade feita de que o artista tirava a geometria do cotidiano nos enquadramentos da máquina fotográfica para criar no terreno da abstração. Pintor, gravador e designer, produzia em diversos campos e todos vão se inter relacionando”

Exposição: Fotoformas e Suas Margens
Centro Universitário Maria Antônia
De terça a sexta, das 12 às 21 horas
Sábado e domingo, das 10 às 18 horas
Até dia 1 de junho
Tel: (11) 32557182

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Pinhole Day

Posted by polodefotografia em 25/04/2008

Neste domingo é comemorado o Pinhole Day – Dia Internacional da Fotografia Pinhole.
Sempre no último domingo de abril de cada ano milhares de pessoas em todo o mundo tiram o dia para fotografar com câmeras de orifício, a fim de promover, celebrar e produzir fotografias pinhole. O evento foi criado em 2001, pelo fotógrafo norte-americano Gregg Kemp e está em sua quinta edição.

No Brasil, haverá oficinas em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Brasília, Porto Alegre, Manaus e Belém…

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Impressões de Inhotim

Posted by polodefotografia em 25/04/2008

Números impressionam.
São 2,1 mil hectares recheados de 350 obras de arte contemporânea, das quais 80 permanentes. O espaço, localizado a pelo menos 450 km do Rio e de São Paulo, os dois grandes centros culturais do país, fica a apenas 60 km de Belo Horizonte, atrai dois mil visitantes num final de semana.

Pessoas também impressionam.
Bernardo Paz, 59 anos, cabelos e barbas grisalhas, um empresário do ramo de siderurgia e mineração, colecionador de arte, conhecido do público mineiro porque seu irmão foi envolvido no escândalo do mensalão, e do público carioca, por ter laçado a artista Adriana Varejão, dois anos atrás. Amigo de Burle Marx e Tunga, responsáveis respectivamente pelo paisagismo do local e pela idéia de abri-lo ao público.

Histórias impressionam ainda mais…
Dizem que Bernardo vivia em Nova York 20 anos atrás e quase não falava de arte. Mudou. Convidou o amigo paisagista para trazer para Minas mudas exóticas, palmeiras, orquídeas, bromélias, e projetar, entre lagos espelhados e uma botânica impecável, o espaço que antes era apenas para abrigar sua pequena coleção particular e hoje é conhecido como um dos maiores centros de arte contemporânea do país, localizado numa cidadezinha chamada Inhotim.

Dizem que tim era um gringo fazendeiro que se instalou no local. Já inho era o equivalente da época a “senhor”… Daí o nome… E assim ficou. Simples. Mas dessa simplicidade e daquela que dizem ser encontrada na sede da fazenda em que Bernardo ainda mora, o público visitante nada vê.

Inaugurado há cerca de quatro anos, mas aberto ao público apenas no final de 2006, o Centro de Arte Contemporânea de Inhotim já recebeu a visita até do Príncipe Charles – lembram os moradores de cidades vizinhas tentando demonstrar a importância que o espaço ganhou e que na região ainda não se compreendeu ao certo.
O deslumbre ativado pelo apurado senso estético de Burle Marx fala mais alto ao visitante comum e não iniciado nesta plástica conceitual, ora sutil, ora impactante por seu gigantismo físico ou sensível.

Chamam Bernardo de megalômano. Talvez seja preferível outro verbete, da mesma letra M no Aurélio: Mecenas – Patrocinador generoso, protetor das ciências, letras e artes, ou dos artistas e sábios. Abrindo mão de guardar para si seus tesouros, ele cobra R$ 10 o ingresso inteiro para que esta coleção seja visitada entre quinta e domingo. Sem patrocínios. Sem participação do governo. Se o dinheiro do ingresso mantém os 400 funcionários, é uma dúvida…

Lá estão as obras da primeira dama de Inhotim, Adriana Varejão e da colombiana Doris Salcedo, que causou frisson em temporada londrina no ano passado. Os dois pavilhões inaugurados em março vieram somar-se a outros dez existentes no local e que, diz-se por aí, chegará a 26, um deles já sendo construído para Helio Oiticica, que hoje está representado pelo seu trabalho de 1973, a Cosmococa 5-Hendrix War, que está numa das três galerias coletivas.

Cada um desses artistas e outros tantos – Cildo Meirelles, Tunga, Laura Lima, Crhis Burden, Larry Clark – valem um post à parte. Aqui fica a necessidade de destacar a impressão causada por este centro que acaba sendo um centro educativo de arte, além de somente um espaço de apreciação da mesma.

Atraídos pelos jardins, pelos restaurantes, pelos espaços bem elaborados para curtir o verde, pelo burburinho de celebridades que o freqüentam, pelas dicas do boca-a-boca, o museu de Inhotim traz para o cotidiano de um público distante da arte contemporânea uma vivência mais próxima a ela.
Faz com que as pessoas parem por minutos para ver uma forma artística diferente do clássico quadro pendurado que se convencionou como exponencial da arte mundial na educação.
Vale e vale muito.

Mesmo que, depois da visita, entre um gole da cachaça local e uma linguicinha defumada no fim de noite das pousadas e restaurantes que agora se multiplicam na região, alguém afirme, citando uma obra específica com riqueza de detalhes para dar cinicamente substância às críticas: “Aquilo pode ser tudo, mas não arte”.

Os detalhes a serem criticados ficaram na mente.
São lembrados, marcaram de alguma maneira.
Cumpriram a meta.
Impressionaram.

Impressionante, não?

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Paparazzi ???

Posted by polodefotografia em 11/04/2008

A comoção da sociedade por conta da morte trágica da menina Isabella – atirada de uma janela do sexto andar em São Paulo há duas semanas – produziu cenas, no mínimo, pitorescas para a história do jornalismo, com requintes de crueldade no que diz respeito às imagens.

Um post neste blog já havia mostrado a péssima escolha do editor de primeira página do jornal O Globo, que escolheu a imagem de um amontoado de fotógrafos e cinegrafistas tentando captar imagens do casal (pai e madrasta da garota) quando estes se entregavam, para estampar as páginas do jornal do dia. O resultado é que não se reconhecia na foto a imagem do casal, mas sim de um monte de capas de chuva que cobriam os profissionais e seus equipamentos.

Pois na tarde desta sexta-feira um legítimo pastelão foi protagonizado por estes pseudo-paparazzi, que arriscaram suas vidas e as de outros que passavam pelas ruas de São Paulo, ao perseguirem ensandecidamente e em alta velocidade os carros do pai e da madrasta de Isabella, quando ambos deixaram as delegacias em que estavam presos.

É certo que esta é a notícia da vez, até que a costumeira banalização da violência venha nos tirar deste choque para substituí-lo por outro. Afinal, foi assim que sempre se deu (a tragédia de Isabella não substituiu a garota torturada de Goiás?). Mas será que a imprensa não exagerou?
Câmeras de Tv transmitiram ao vivo o percurso dos dois carros, enquanto eles se abalaram pelas ruas da capital paulista, mostrando, mais do que os carros, o desespero dos fotógrafos se espremendo para obter uma melhor imagem dos acusados do crime.

O termo italiano Paparazzi foi cunhado a partir do plural de Paparazzo, sobrenome do fotógrafo responsável por captar as imagens não autorizadas de celebridades, em cenas do filme La Dolce Vita, de Frederico Fellini.
Os sebosos que sobrevivem a cata da imagem roubada ou doada de bandeja pelas celebridades já foram alvo de críticas e processos, além de filmes em que vêem retratada sua vida. Na última semana mesmo houve o caso da condenação dos fotógrafos que teriam provocado a morte da Princesa Diana em 1997, ao perseguirem em alta velocidade o carro em que ela estava, apenas atrás de uma foto.

Mas neste caso do casal suspeito da morte de Isabella, há um excesso. É possível tratar estes fotógrafos e cinegrafistas como paparazzi? Afinal, é o casal uma celebridade? E o que diria ao leitor/espectador comum a imagem de uma mulher ou de um homem atrás do vidro de um carro em alta velocidade tentando fugir das câmeras? Esta imagem valeria mesmo mais do que as mil palavras sobre as investigações do crime que estão jorrando excessivamente aos olhos e ouvidos desta nossa sociedade do espetáculo? São tão essenciais que justifiquem esta corrida frenética e transmissões ao vivo?

Espectadores nada passivos que, acompanhando com tal voracidade na mídia cada passo desta investigação e comprando nas bancas cada imagem desfocada, estaríamos nós em busca de uma resposta para a incrédula tragédia, ou apenas, sem perceber, nos alimentando morbidamente dela como passatempo?

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DADA

Posted by polodefotografia em 10/04/2008

De cara, o site avisa: quem não puder comprar uma passagem para Londres agora, dá para ver a exposição no site da tate gallery . Até o dia 26 de maio, a expressiva galeria de arte contemporânea na capital britânica busca no dadaísmo de Man Ray, Francis Picabia e Marcel Duchamp uma resposta ao desconforto com o conflito armado.

A exposição que traz imagens dos três artistas, não coincidentemente, ocorre no ano em que o Turner Prize, da Tate Gallery, considerado um dos mais importantes prêmios das Artes Plásticas no Reino Unido, foi dado para um protesto contra a participação britânica nas invasões do Iraque e do Afeganistão.
Ok, para quem gosta de artes e por algum motivo teve que sair do planeta nos últimos 80 anos, ou por acaso faltou a uma das principais aulas dadas nos cursos de artes plásticas, aí vai uma palhinha:
O dadaísmo foi uma vanguarda moderna que em sua etmologia siginifica uma onomatopéia prosaica em francês, dita por uma criança, que nada mais é do que “cavalo de brinquedo”! Criado em Zurique em 1916 por um grupo de escritores e artistas plásticos. A idéia da palavra é brincar com o nonsense. Assim como na linguagem de um bebê, na prática o dadaísmo em si não diz nada.
Nas obras de arte, porém, ele simbolizou o caráter anti-racional dos manifestantes contrários à Primeira Guerra Mundial. Nas primeiras décadas do século XX, o movimento tomou de assalto as capitais da cultura de vanguarda (Paris, Barcelona, Berlim e Nova York) e traduz até hoje uma contestação juvenil empenhada de certa ironia e arrojo para, com formas simples, combater o irracional.
Se Man Ray abusou das técnicas fotográficas para perveter a ordem da captação da imagem, e manipulou os negativos e fotogramas de forma a provocar o sistema, Duchamp até hoje tem seu nome no alvo dos críticos por seus trabalhos em que tradu objetos simples em imagens como se fossem obras de arte.
Exemplo claro de Duchamp é o seu urinol, chamado de “fonte”, e cujo valor artístico é contestado até hoje. De Man Ray, é bom lembrar sua aproximação do surrealismo, a partir do desenvolvimento da raiografia, ou fotograma, criando imagens abstratas (obtidas sem o auxílio da câmara) mas com a exposição à luz de objetos previamente dispersos sobre o papel fotográfico.

Revoluções…
Tudo o que a gente precisa para inspirar os dias de hoje

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