Polo de Fotografia

Archive for março \30\UTC 2008

É sempre bom lembrar

Posted by polodefotografia em 30/03/2008

Flávio Damm foi o fio condutor do programa Mundo da Fotografia, exibido nos domingos à noite no Sesc TV. Bom programa para quem ama esta arte fotográfica. Neste domingo, em especial, Damm do alto de sua vasta experiência no fotojornalismo, deu uma aula, falou de suas fotos mais famosas, comentou longamente sobre o “momento decisivo” e fechou com aquilo que, acho eu, todos sabemos, mas é sempre bom que fique muito bem gravado na mente:

“A máquina fotográfica mais sofisticada que inventarem no futuro nunca, jamais, será operada sozinha. Sempre será exigido o olho do fotógrafo. Aí é que está o diferencial.”

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mais um adeus

Posted by polodefotografia em 30/03/2008

Há cerca de 15 dias, o cenário fotográfico mundial perdeu Phillips Jones Griffiths, o lendário fotógrafo que fez as imagens que mudaram a opinião dos Estados Unidos sobre a guerra do Vietnã. Neste domingo morreu o fotógrafo cambojano Dith Pran, cuja experiência de vida inspirou o filme “Os gritos do silêncio”. Seu parceiro no filme de 1984, o correspondente de guerra do “New York Times”, Sydney Schanberg, foi quem anunciou a notícia. A experiência de Dith Pran relatada no filme refere-se à época em que ele trabalhava para Schanberg como assistente e intérprete no Camboja em 1975, quando o país passou para as mãos dos Khmeres Vermelhos. Após cobrir a chegada ao poder deste regime marxista, as autoridades não o deixaram sair. Ele só conseguiu fugir de lá quatro anos depois, para a Tailândia, não sem anter ter sido torturado. O filme que levou três Oscar foi feito em cima de um livro em que os jornalistas contam sua história. Além dos relatos, Dith Pran, que estava com 65 anos, havia fundado uma organização para conscientizar o mundo sobre o regime dos Khmeres Vermelhos, e foi responsável pela morte de cerca de mil de pessoas entre 1975 e 1979.

A foto acima é retirada de cena do filme “Os Gritos do Silêncio”.

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A morte do Real

Posted by polodefotografia em 26/03/2008

Com dois milhões de usuários somente no Brasil, a rede de compartilhamento de imagens Flickr já nem mais é analisada como fenômeno, a exemplo do que ocorreu quando seu antecessor, o orkut – a rede de relacionamentos – explodiu como febre no mundo todo.

Imagens da família, dos amigos, das viagens – físicas e mentais – de fotógrafos se proliferam a cada instante…

Mas, além de contar suas próprias histórias como em blogs, fotologs ou afins que substituíram os diários escritos ou os álbuns familiares, é cada vez mais comum nesta rede de compartilhamento a busca de um ar diferencial nestas imagens.

Como os pintores que se libertaram do comprometimento com a realidade na virada do século XIX, a partir da chegada da fotografia, estes recém intitulados fotógrafos também dão adeus às métricas regras da documentação exemplar de mister cartier-bresson, para partir para o experimentalismo.

Deste sentimento de “tudo posso” com a máquina digital (afinal os gastos diminuíram, os testes são instantâneos, e a técnica cada vez mais dispensável pelo aperfeiçoamento tecnológico) , surgem desfoques (seriam impressionistas?), olhares macros, recortes abstratos da realidade, ops, realidade?

Em “A Câmara Clara”, Roland Barthes alertava para o fato de que o que difere a pintura da fotografia é que nesta última não há invenção: o objeto realmente esteve lá em algum momento. Não foi criado a partir da mente do artista. A fotografia é uma cicatriz do fato enquanto vestígio do que se foi.

Por isso mesmo, Guy Debord, em sua “Sociedade do Espetáculo” lembra que “o espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social mediada por imagens”. Somos isso e nada mais do que isso. O espetáculo exige a visibilidade, como um valor que se sustenta por si próprio, nem que para isso paguemos o preço da redução da concretude do mundo à bidimensionalidade das imagens.

O Flickr é isso. É, como Jean Baudrillard propagou em 2001 – sem conhecer o fenômeno atual da propagação da imagem em todos os meios – o fim do real. Nossa vida virtual que a cada dia substitui mais e mais o “real”.

“Se o real está desaparecendo, não é por causa de sua ausência – ao contrário, é porque existe realidade demais. Este excesso de realidade, da mesma forma que o excesso de informação, põe fim na comunicação”

Jean Baudrillard
in “A Ilusão Vital”

PS: as imagens escolhidas para ilustrar este post são de Jackson Pollock e Andy Warhol. Vale a utilização do excesso de informações de ambos no google para tentar entender a conexão…

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A ausência presente

Posted by polodefotografia em 25/03/2008

Depois de alguns dias sem nenhum post (pausa para feriado, chocolates, etc), o Pólo de Fotografia traz um novo homenageado em seu slideshow à esquerda deste texto. Depois de Miguel Rio Branco ocupar um dos lugares nobres detse espaço, agora é a vez do norte-americano John Baldessari receber as honras da casa.

Um dos mais significativos artistas das últimas décadas, Baldessari ficou conchecido principalmente pela reflexão que faz em cima das imagens no mundo contemporâneo. Antes mesmo desse excesso de imagens captadas pelas atuais câmeras digitais, Baldessari fazia sua crítica, na década de 60, sobre os códigos contemporâneos que regem o mundo imagético.

Para além da pintura, Baldessari apoiou-se na fotografia e no cinema para constituir diferentes linguagens iconográficas e fazer com que elas conversassem entre si. Pop-conceitual, já se disse sobre ele. Nonsense, tentaram classificá-lo, com e sem razão na mesma proporção, por conta de suas interferências cromáticas em qualquer tipo de imagem, seja jornal, revista, fotograma, etc.

É assim na série em que cria um dicionário visual, denominando as expressões captadas na cena de um ator ou uma atriz hollwoodianos, e classificando-as ao lado da imagem captada. A ironia para com a imagem contemporânea, por sua vez, ganha espaço nas fotografias de jornais em que ele sobrepõe um círculo pintado em uma cor qualquer sobre os rostos das pessoas representadas, fossem elas personalidades ou não.

Tornando-as anônimas, ele garantiu uma forma destacar o ato que estava sendo representado. Apropriando-se da imagem e criando cores sobre ela, dava à mesma um novo contexto e interpretação artística.

“O que retiro é mais importante. Quero a ausência que cria uma espécie de angústia”, disse Baldessari certa vez. Curioso, para um artista que destruiu toda a sua obra antes da década de 70. Discursos improváveis e fragmentados, articulações pessoais da imagética contemporânea. Que seja bem-vinda a ausência tão atual e presente de Baldessari ao Pólo e aos nossos dias.

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Reminiscências

Posted by polodefotografia em 20/03/2008

Os filósofos gregos pensavam sobre o passado e o futuro como dois males que pesam sobre a vida humana, dois centros de todas as angústias que vêm estragar a única e exclusiva dimensão da existência que vale a pena ser vivida, simplesmente porque é a única real: a do instante presente. Se as fotografias são cicatrizes do passado, recortes, reminiscências, então fotografar é viver em outro tempo?

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