Polo de Fotografia

"Agora posso dizer que sou fotógrafo"

Posted by polodefotografia em 26/02/2008

Bate-papo descontraído, auditório lotado, ou melhor, abarrotado… pessoas sentadas nas escadas, e ocupando espaços micros entre poltronas e parede na Casa do Saber. O cenário da última segunda-feira existiu apenas pela presença do artista plástico Vik Muniz e sua mulher, a também artista Janaína Tschäpe, representados pela galeria Fortes Villaça, de São Paulo. Todos interessados numa opinião mais a fundo de ambos sobre seus respectivos trabalhos.

Entre uma análise da arte em geral, especialmente a fotográfica, através dos tempos, e comentários engraçados sobre seu próprio trabalho… ele conquistou a platéia.

A frase que dá título a este post foi talhada em dado momento: “Sou pintor, às vezes nem mesmo sou que clico a minha obra. A fotografia só precisa existir para perspetuar a obra. mas agora posso dizer que sou fotógrafo. É mais valorizado e me permite não ser barrado no aeroporto”, disse com um típico humor que nada deixa passar.

Para Vik, há hoje um “rearranjo na fotografia”, depois da época em que “todo mundo se disse fotógrafo, porque descobriu que a fotografia poderia vender bem, acima dos US$ 10 mil, por ser uma obra de arte”.

“Todo mundo estava fotografando e de repente houve um coice, foi tudo para trás, e de repente a pintura começou a se valorizar de novo, e aí veio a onda de uma coisa meio foto sem câmera, sem foco, todo mundo achava lindo. Agora acho que está entrando um equilíbrio”, acrescentou Márcia Fortes, presente ao evento.

Como fotógrafo, Vik também exprime sua preocupação com os avanços tecnológicos:


“Desde a pré-história a gente acostumado a representações que estão ficando cada vez mais sofisticadas. Na pré-história, você tem aquelas pinturas na parede imitando uma caçada, que não passam de uma flechinha… A imagem foi ficando sofisticada com o passar do tempo, até chegar a um ponto em que não há mais discernimento entre o que aconteceu realmente e o que não ocorreu, o que é invenção. Agora, a pergunta é onde você vai colocar a sua história? Qual vai ser o universo onde você vai colocar o que está acontecendo? Onde você vai criar um depósito do que se passa. Se a fotografia acabou e o filme pode ser manipulado da maneira que se quiser, para onde vai a história? Essa relação do mais manipulável hoje, após a criação do photoshop faz com que a gente comece a ter uma relação com a imagem completamente diferente do que se criou com a fotografia, que era a relação de confiança. Isso já mudou. A própria era da fotografia, aquelas imagens fantásticas, acabou. Aquela coisa de o cara ir lá fazer a foto não existe mais. Agora tudo começa a ficar impregnado com aquele cinismo. Porque você começa a duvidar de tudo. Eu sei que manipulação de imagem já existe há muito tempo. Mas mesmo sabendo que isso já acontecia, acreditava-se na fotografia como elemento histórico, e alguns continuam dando a credibilidade em parte. Mas já não se sabe mais o que é o real, o que é a expressão do real, já que está tudo muito bonitinho. Foto boa de guerra para mim é aquela do Capa, que você vê o medo do cara estampado nas imagens tremidas e desfocadas”
Comentários à parte sobre o bate-papo informal de Vik na Casa do Saber, quem quiser conhecer um pouco o trabalho dele, vale clicar aqui para ver um vídeo pinçado no youtube. Ou ainda no site de Vik.

PS: em tempo, a foto no alto faz parte do trabalho com lixo, de 2005, retratando a mitologia grega (sísifo nesta); no meio, o trabalho que vem fazendo em grande escala e que chega no Brasil este ano; e embaixo a apropriação de uma foto de Julie Margareth Cameron.
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