Sebastião Salgado revela que entrou na fotografia de maneira brusca e largou a analógica por causa do excesso de raio X em aeroportos pós 11 de setembro.
Walter Carvalho conta que quando soube que Salgado havia partido para a digital, percebeu que o mundo tinha mudado e mandou buscar a sua nova câmera.
Thomas Farkas recomenda aos iniciantes: fotografem muito…
São 40 fotógrafos entrevistados por Simonetta Persichetti para o projeto Encontros com a Fotografia, que inclui livro e DVD, concebido para marcar os dez anos de abertura da primeira Fnac no Brasil, em 1999. Todos já expuseram suas imagens nas galerias internas da Fnac e tiveram obras adquiridas pela mesma.
A tradição, na França, começou há 55 anos, quando dois amigos, Max Théret e André Essel, abriram em sociedade a primeira loja Fnac num pequeno cômodo de 40 metros quadrados do boulevard Sebastopol.
Amantes da fotografia, eles queriam comprar equipamentos com desconto e fundaram a empresa para fornecer materiais a uma cooperativa de fotógrafos. Hoje, as 142 lojas existentes no mundo, além dos equipamentos, vendem tiragens limitadas de grandes fotógrafos.
O trabalho apresenta um passeio pelo mundo dos fotógrafos: São Paulo, Rio, Porto Alegre, Curitiba, Minas, Paraíba, Bahia, Belém, Brasília, Juazeiro e… Paris.
O passeio esmera-se em prazer para os amantes da fotografia que, ao término do documentário ficam com gostinho de quero mais. À parte a trilha sonora um pouco cansativa, que é um dos únicos pontos fracos do projeto, o destaque vai para as frases que podem ser pinçadas nos relatos de cada fotógrafo sobre sua trajetória e sobre o que pensam desta prática fotográfica.
Eustáquio Neves, por exemplo, nos conta que “não termina uma fotografia”: “Eu abandono, porque senão vai ser um esvaziamento total na imagem, que não vai mais ter relação com a fotografia”.
Já Walter Carvalho lembra que “olhar e ver é muito diferente”: ”Quem decide o que você está fazendo na hora de fotografar não é o olho, mas os neurônios”.
No fio de ariadne que é a fotografia, conduzindo homens e mulheres de culturas tão diferentes no decorrer do documentário ficam poucas unanimidades. Há os que já colocam o próprio monitor da câmera digital no módulo preto e branco, porque não se atrelam às cores. Em contrapartida há Luiz Braga, que diz depositar camadas de cores sobre a base de preto e branco, ou Walter Firmo, exaltando a imagem colorida.
Na trajetória também fica clara a influência dos pais na decisão da fotografia da maioria dos entrevistados. “Certamente se meu pai não fosse fotógrafo eu também não seria”, diz Christian Cravo.
Em tempo: Mario Cravo Neto concedeu neste projeto uma de suas últimas entrevistas… Em dado momento, ele comenta que desde a década de 60, quando as fotografias foram para as galerias, “tudo ficou nebuloso e conflitante”.
Obras como esta da Fnac contribuem muito para elucidar estes conflitos, revelar as ideias por trás das câmeras e, feito um instantâneo fotográfico, registrar este momento, preservando a memória fotográfica brasileira para a posteridade.


